Linguagens · descrição literária · projeção de sentimentos na paisagem
Na sua imaginação perturbada sentia a natureza toda agitando-se para sufocá-la. Aumentavam as sombras. No céu, nuvens colossais e túmidas rolavam para o abismo do horizonte... Na várzea, ao clarão indeciso do crepúsculo, os seres tomavam ares de monstros... As montanhas, subindo ameaçadoras da terra, perfilavam-se tenebrosas... Os caminhos, espreguiçando-se sobre os campos, animavam-se quais serpentes infinitas... As árvores soltas choravam ao vento, como carpideiras fantásticas da natureza morta... Os aflitivos pássaros noturnos gemiam agouros com pios fúnebres. Maria quis fugir, mas os membros cansados não acudiam aos ímpetos do medo e deixavam-na prostrada em uma angústia desesperada. ARANHA, J. P. G. Canaã. São Paulo: Ática, 1997. No trecho, o narrador mobiliza recursos de linguagem que geram uma expressividade centrada na percepção da
relação entre a natureza opressiva e o desejo de libertação da personagem
confluência entre o estado emocional da personagem e a configuração da paisagem
prevalência do mundo natural em relação à fragilidade humana
depreciação do sentido da vida diante da consciência da morte iminente
instabilidade psicológica da personagem face à realidade hostil
A paisagem é descrita pelo medo de Maria: nuvens, montanhas e árvores ganham ar de ameaça. Emoção e paisagem se confundem.
Por que a B é a certa
O trecho começa dizendo que é na imaginação perturbada de Maria que a natureza parece sufocá-la. Daí em diante, a paisagem ganha os traços do medo dela: os seres viram monstros, as montanhas ficam ameaçadoras, os caminhos parecem serpentes, as árvores choram como carpideiras. A natureza descrita é a que a personagem sente: há confluência entre o seu estado emocional e a paisagem.
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