Linguagens · recursos expressivos · conto
Eu tenho empresas e sou digno do visto para ir a Nova York. O dinheiro que chove em Nova York é para pessoas com poder de compra. Pessoas que tenham um visto do consulado americano. O dinheiro que chove em Nova York também é para os nova-iorquinos. São milhares de dólares. [...] Estou indo para Nova York, onde está chovendo dinheiro. Sou um grande administrador. Sim, está chovendo dinheiro em Nova York. Deu no rádio. Vejo que há pedestres invadindo a via onde trafega o meu carro vermelho, importado da Alemanha. Vejo que há carros nacionais trafegando pela via onde trafega o meu carro vermelho, importado da Alemanha. Ao chegar em Nova York, tomarei providências. SANT’ANNA, A. O importado vermelho de Noé. In: MORICONI, I. (Org.). Os cem melhores contos. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. As repetições e as frases curtas constituem procedimentos linguísticos importantes para a compreensão da temática do texto, pois
expressam a futilidade do discurso de poder e de distinção do narrador
disfarçam a falta de densidade das angústias existenciais narradas
ironizam a valorização da cultura norte-americana pelos brasileiros
explicitam a ganância financeira do capitalismo contemporâneo
criticam os estereótipos sociais das visões de mundo elitistas
O narrador repete o carro importado e o dinheiro que chove em Nova York: frases curtas que expõem um discurso vazio de poder.
Por que a A é a certa
O narrador se apresenta por símbolos de status: tem empresas, merece visto para Nova York, dirige um carro vermelho importado da Alemanha. As frases são curtas e se repetem quase iguais, como um refrão: o dinheiro que chove em Nova York, o carro importado, sou um grande administrador. A repetição esvazia o que ele diz e expõe a futilidade de um discurso feito só de poder e distinção.
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Precisava saber