História · Reforma Protestante · imprensa e Inquisição
Dois grandes eventos históricos tornaram possível um caso como o de Menocchio: a invenção da imprensa e a Reforma. A imprensa lhe permitiu confrontar os livros com a tradição oral em que havia crescido e lhe forneceu as palavras para organizar o amontoado de ideias e fantasias que nele conviviam. A Reforma lhe deu audácia para comunicar o que pensava ao padre do vilarejo, conterrâneos, inquisidores — mesmo não tendo conseguido dizer tudo diante do papa, dos cardeais e dos príncipes, como queria. GINZBURG, C. O queijo e os vermes: o cotidiano e as ideias de um moleiro perseguido pela Inquisição. São Paulo: Cia. das Letras, 2006. Os acontecimentos históricos citados ajudaram esse indivíduo, no século XVI, a repensar a visão católica do mundo ao possibilitarem a
consulta pública das bibliotecas reais
sofisticação barroca do ritual litúrgico
aceitação popular da educação secular
interpretação autônoma dos textos bíblicos
correção doutrinária das heresias medievais
A imprensa deu livros a Menocchio e a Reforma lhe deu coragem de falar: ele passou a ler e pensar a fé por conta própria.
Por que a D é a certa
O texto aponta dois eventos. A imprensa permitiu a Menocchio, um moleiro, ter livros e confrontá-los com a tradição oral que conhecia. A Reforma, que defendia que cada fiel lesse e entendesse as Escrituras por si, deu-lhe audácia para dizer o que pensava ao padre e aos inquisidores. Juntos, eles possibilitaram uma interpretação autônoma dos textos religiosos, longe da mediação da Igreja.
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