Linguagens · Machado de Assis · enumeração · metalinguagem
Notas Soluços, lágrimas, casa armada, veludo preto nos portais, um homem que veio vestir o cadáver, outro que tomou a medida do caixão, caixão, essa, tocheiros, convites, convidados que entravam, lentamente, a passo surdo, e apertavam a mão à família, alguns tristes, todos sérios e calados, padre e sacristão, rezas, aspersões d'água benta, o fechar do caixão, a prego e martelo, seis pessoas que o tomam da essa, e o levantam, e o descem a custo pela escada, não obstante os gritos, soluços e novas lágrimas da família, e vão até o coche fúnebre, e o colocam em cima e traspassam e apertam as correias, o rodar do coche, o rodar dos carros, um a um... Isto que parece um simples inventário eram notas que eu havia tomado para um capítulo triste e vulgar que não escrevo. ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 25 jul. 2022. O recurso linguístico que permite a Machado de Assis considerar um capítulo de Memórias póstumas de Brás Cubas como inventário é a
enumeração de objetos e fatos
predominância de linguagem objetiva
ocorrência de período longo no trecho
combinação de verbos no presente e no pretérito
presença de léxico do campo semântico de funerais
O trecho lista objetos e fatos do velório e do enterro, um atrás do outro, separados por vírgulas, como itens de um inventário.
Por que a A é a certa
O narrador encadeia, numa frase longa separada por vírgulas, objetos e acontecimentos do velório: soluços, lágrimas, veludo preto, caixão, tocheiros, convidados, padre, rezas, o fechar do caixão, o coche. Essa enumeração parece uma lista de itens, e o próprio narrador a chama de inventário. É ela que permite a comparação.
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Precisava saber