Linguagens · arte contemporânea · ready-made · instalação
TEXTO I SILVEIRA, R. In absentia, 1983. Instalação, 17ª Bienal de São Paulo. Disponível em: www.bienal.org.br. Acesso em: 1 set. 2016 (adaptado). TEXTO II O termo ready-made foi criado por Marcel Duchamp (1887-1968) para designar um tipo de objeto, por ele inventado, que consiste em um ou mais artigos de uso cotidiano, produzidos em massa, selecionados sem critérios estéticos e expostos como obras de arte em espaços especializados (museus e galerias). Seu primeiro ready-made, de 1912, é uma roda de bicicleta montada sobre um banquinho (Roda de bicicleta). Ao transformar qualquer objeto em obra de arte, o artista realiza uma crítica radical ao sistema da arte. Disponível em: www.bienal.org.br. Acesso em: 1 set. 2016 (adaptado). A instalação In absentia propõe um diálogo com o ready-made Roda de bicicleta, demonstrando que
O que a prova mostra
O Texto I é a fotografia da instalação, em preto e branco, feita dentro de um salão de exposição: paredes e piso claros e lisos, teto com luminárias retangulares, e ao fundo, no alto, o guarda-corpo de um mezanino.
No canto do salão há uma grande forma escura, chapada, sem volume, que atravessa a quina entre a parede e o chão e se deforma ao passar de uma superfície para a outra. Essa forma desenha, em silhueta:
e esticado pela inclinação, com um aro externo mais grosso;
parte de baixo do círculo — ela não desce da parede, está toda no piso;
branco** descrito abaixo — da face de cima e da lateral dele — e se estende dali até a armação e o círculo.
Na frente da cena, apoiado no chão, há um bloco branco retangular baixo — esse é sólido, com volume e faces visíveis, diferente de todo o resto.
as formas de criticar obras do passado se repetem
a recorrência de temas marca a arte do final do século XX
as criações desmistificam os valores estéticos estabelecidos
o distanciamento temporal permite a transformação dos referenciais estéticos
o objeto ausente sugere a degradação da forma superando o modelo artístico
Em In absentia, a Roda de bicicleta de Duchamp está só como sombra: como ele, Silveira questiona o que se tem por obra de arte.
Por que a C é a certa
Na instalação, a roda de bicicleta sobre um banquinho aparece só como sombra escura, que sai de um bloco branco, corre pelo chão e sobe a parede, deformada. O objeto não está lá. Duchamp já tinha questionado a arte ao expor um objeto comum; Silveira vai além e expõe a ausência do próprio ready-made. As duas obras desmontam a ideia estabelecida do que é arte e do que tem valor estético.
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Precisava saber