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ENEM 2023 · questão 13

Linguagens · poesia · eu lírico · interpretação de texto literário

Girassol da madrugada Teu dedo curioso me segue lento no rosto Os sulcos, as sombras machucadas por onde a vida passou. Que silêncio, prenda minha... Que desvio triunfal da verdade, Que círculos vagarosos na lagoa em que uma asa gratuita roçou...

Tive quatro amores eternos... O primeiro era moça donzela, O segundo... eclipse, boi que fala, cataclisma, O terceiro era a rica senhora, O quarto és tu... E eu afinal me repousei dos meus cuidados ANDRADE, M. Poesias completas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013 (fragmento).

Perante o outro, o eu lírico revela, na força das memórias evocadas, a

  1. A

    vergonha das marcas provocadas pela passagem do tempo

  2. B

    indecisão em face das possibilidades afetivas do presente

  3. C

    serenidade sedimentada pela entrega pacífica ao desejo

  4. D

    frustração causada pela vontade de retorno ao passado

  5. E

    disponibilidade para a exploração do prazer efêmero

Resposta: C

Depois de lembrar os quatro amores, o eu lírico diz que "afinal" repousou: a lembrança termina em serenidade ao lado do outro.

Por que a C é a certa

O poema começa com o toque do outro, um "dedo curioso" que segue "lento" pelo rosto marcado. Depois vêm as memórias: "Tive quatro amores eternos". O último é o presente, "O quarto és tu", e o verso final fecha: "E eu afinal me repousei dos meus cuidados". Repousar é sossego: o eu lírico se entrega ao desejo sem conflito. Essa é a serenidade da opção.

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Precisava saber

identificar o eu lírico e o interlocutorler o desfecho de um poema

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