Linguagens · poesia · eu lírico · interpretação de texto literário
Girassol da madrugada Teu dedo curioso me segue lento no rosto Os sulcos, as sombras machucadas por onde a vida passou. Que silêncio, prenda minha... Que desvio triunfal da verdade, Que círculos vagarosos na lagoa em que uma asa gratuita roçou...
Tive quatro amores eternos... O primeiro era moça donzela, O segundo... eclipse, boi que fala, cataclisma, O terceiro era a rica senhora, O quarto és tu... E eu afinal me repousei dos meus cuidados ANDRADE, M. Poesias completas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013 (fragmento).
Perante o outro, o eu lírico revela, na força das memórias evocadas, a
vergonha das marcas provocadas pela passagem do tempo
indecisão em face das possibilidades afetivas do presente
serenidade sedimentada pela entrega pacífica ao desejo
frustração causada pela vontade de retorno ao passado
disponibilidade para a exploração do prazer efêmero
Depois de lembrar os quatro amores, o eu lírico diz que "afinal" repousou: a lembrança termina em serenidade ao lado do outro.
Por que a C é a certa
O poema começa com o toque do outro, um "dedo curioso" que segue "lento" pelo rosto marcado. Depois vêm as memórias: "Tive quatro amores eternos". O último é o presente, "O quarto és tu", e o verso final fecha: "E eu afinal me repousei dos meus cuidados". Repousar é sossego: o eu lírico se entrega ao desejo sem conflito. Essa é a serenidade da opção.
Esta página não sabe qual alternativa você marcou — o aplicativo sabe, e começa por ela. Nele esta questão ainda traz:
Todas as questões continuam de graça, com gabarito, aqui e no aplicativo. A explicação completa é de quem assina — e as 15 primeiras são por nossa conta.
Precisava saber