Linguagens · variação linguística · preconceito linguístico · inferência
De quem é esta língua? Uma pequena editora brasileira, a Urutau, acaba de lançar em Lisboa uma “antologia antirracista de poetas estrangeiros em Portugal”, com o título Volta para a tua terra. O livro denuncia as diversas formas de racismo a que os imigrantes estão sujeitos. Alguns dos poetas brasileiros antologiados queixam-se do desdém com que um grande número de portugueses acolhe o português brasileiro. É uma queixa frequente. “Aqui em Portugal eles dizem / — eles dizem — / que nosso português é errado, que nós não falamos português”, escreve a poetisa paulista Maria Giulia Pinheiro, para concluir: “Se a sua linguagem, a lusitana, / ainda conserva a palavra da opressão / ela não é a mais bonita do mundo./ Ela é uma das mais violentas”. AGUALUSA, J. E. Disponível em: https://oglobo.globo.com. Acesso em: 22 nov. 2021 (adaptado).
O texto de Agualusa tematiza o preconceito em relação ao português brasileiro. Com base no trecho citado pelo autor, infere-se que esse preconceito se deve
à dificuldade de consolidação da literatura brasileira em outros países
aos diferentes graus de instrução formal entre os falantes de língua portuguesa
à existência de uma língua ideal que alguns falantes lusitanos creem ser a falada em Portugal
ao intercâmbio cultural que ocorre entre os povos dos diferentes países de língua portuguesa
à distância territorial entre os falantes do português que vivem em Portugal e no Brasil
Os versos citados mostram que, para alguns portugueses, o português do Brasil é "errado": supõem um português certo, o deles.
Por que a C é a certa
A pergunta manda olhar o trecho citado. Nele, a poeta diz: "Aqui em Portugal eles dizem […] que nosso português é errado, que nós não falamos português". Para chamar uma variedade de errada, é preciso acreditar que existe uma forma certa, ideal. E, para quem diz isso em Portugal, a forma certa é a falada ali. O preconceito vem dessa crença numa língua ideal.
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