Sociologia · papéis de gênero · condição feminina no século XIX · literatura e sociedade
Durante a Revolução Francesa, um certo padre Niollant escondeu-se no pequeno castelo de L’Escarbas. Pagou amplamente a hospitalidade do velho fidalgo ocupando-se da educação de sua filha, Anaïs. A presença da mãe em nada modificou essa educação masculina dada a uma jovem criatura já muito inclinada à independência em virtude da vida no campo. O padre transmitiu à aluna sua intrepidez de opiniões e sua facilidade de julgamento, sem pensar que essas qualidades, tão necessárias num homem, se tornam defeitos numa mulher destinada aos humildes afazeres de mãe de família. Embora o padre recomendasse continuamente à aluna ser tanto mais graciosa e modesta quanto seu saber era mais extenso, a senhorita de Nègrepelisse ficou com excelente opinião de si mesma. BALZAC, H. Ilusões perdidas. São Paulo: Penguin Classics; Cia. das Letras, 2011 (adaptado).
O comportamento desenvolvido pela personagem evidencia uma postura de
abandono de laços afetivos
negação da ideia de subjetividade
aceitação da hierarquia de gênero
consolidação da estratificação social
ruptura de valores institucionalizados
Anaïs recebe educação de homem, fica com opinião própria e "excelente opinião de si mesma": rompe com o papel que se esperava de uma mulher.
Por que a E é a certa
A sociedade da época esperava das mulheres modéstia e os "humildes afazeres de mãe de família". Anaïs recebe uma "educação masculina", ganha "intrepidez de opiniões" e "facilidade de julgamento". Mesmo com o padre pedindo que fosse graciosa e modesta, ela fica "com excelente opinião de si mesma". Esse comportamento rompe com valores que as instituições, como a família e a Igreja, impunham às mulheres.
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