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ENEM 2024 · questão 37

Linguagens · intertextualidade · crônica · música popular brasileira

Se você é feito de música, este texto é pra você Às vezes, no silêncio da noite, eu fico imaginando: que graça teria a vida sem música? Sem ela não há paz, não há beleza. Nos dias de festa e nas madrugadas de pranto, nas trilhas dos filmes e nas corridas no parque, o que seria de nós sem as canções que enfeitam o cotidiano com ritmo e verso? Quem nunca curou uma dor de cotovelo dançando lambada ou terminou de se afundar ouvindo sertanejo sofrência? Quantos já criticaram funk e fecharam a noite descendo até o chão? Tudo bem... Raul nos ensinou que é preferível ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Já somos castigados com o peso das tragédias, o barulho das buzinas, os ruídos dos conflitos. É pau, é pedra, é o fim do caminho. Há uma nuvem de lágrimas sobre os olhos, você está na lanterna dos afogados, o coração despedaçado. Mas, como um sopro, da janela do vizinho, entra o samba que reanima a mente. Floresce do fundo do nosso quintal a batida que ressuscita o ânimo, sintoniza a alegria e equaliza o fôlego. Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima. BITTAR, L. Disponível em: www.revistabula.com. Acesso em: 21 nov. 2021 (adaptado). Defendendo a importância da música para o bem-estar e o equilíbrio emocional das pessoas, a autora usa, como recurso persuasivo, a

  1. A

    contradição, ao associar o coração despedaçado à alegria

  2. B

    metáfora, ao citar a imagem da metamorfose ambulante

  3. C

    intertextualidade, ao resgatar versos de letras de canções

  4. D

    enumeração, ao mencionar diferentes ritmos musicais

  5. E

    hipérbole, ao falar em “sofrência”, “tragédias” e “afogados”

Resposta: C

Para defender a música, a autora escreve com versos de canções: metamorfose ambulante, é pau, é pedra, dá a volta por cima.

Por que a C é a certa

A crônica defende a música usando a própria música. O texto é costurado com versos de canções conhecidas: a "metamorfose ambulante" de Raul, "É pau, é pedra, é o fim do caminho", "lanterna dos afogados" e, no fecho, "Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima". Ao resgatar esses versos, a autora faz o leitor ouvir as canções enquanto lê, e o argumento ganha força: a música está em toda parte, até no texto.

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intertextualidaderepertório da música popular brasileira

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