Sociologia · vida urbana · relações sociais na modernidade · canção
Sinal fechado Olá, como vai? Eu vou indo e você, tudo bem? Tudo bem, eu vou indo, correndo Pegar meu lugar no futuro, e você? Tudo bem, eu vou indo em busca De um sono tranquilo, quem sabe? Quanto tempo... Pois é, quanto tempo... Me perdoe a pressa É a alma dos nossos negócios... Oh, não tem de que Eu também só ando a cem Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí Pra semana, prometo, Talvez nos vejamos, quem sabe? Quanto tempo... Pois é, quanto tempo... Tanta coisa que eu tinha a dizer Mas eu sumi na poeira das ruas Eu também tenho algo a dizer Mas me foge a lembrança Por favor, telefone, eu preciso beber Alguma coisa rapidamente Pra semana... O sinal... Eu procuro você... Vai abrir! Vai abrir! Prometo, não esqueço Por favor, não esqueça Não esqueço, não esqueço Adeus... PAULINHO DA VIOLA. Foi um rio que passou em minha vida. Rio de Janeiro: Odeon, 1970. A letra da canção apresenta a permanência de uma situação da vida cotidiana ao destacar a
diminuição do comportamento competitivo
importância da memória coletiva
redução da mobilidade urbana
efemeridade dos vínculos de afetividade
obsolescência dos meios de comunicação
Dois conhecidos se cruzam num sinal fechado, trocam frases prontas e prometem ligar. O sinal abre e a conversa acaba: vínculos efêmeros.
Por que a D é a certa
A canção é o diálogo de duas pessoas que se reencontram num sinal fechado. Falam por fórmulas, "Tudo bem, eu vou indo", pedem desculpas pela pressa, prometem telefonar e se ver "Pra semana", e o sinal abre antes que digam o que tinham a dizer. A cena, comum no cotidiano das cidades, mostra laços afetivos que existem mas não se sustentam no ritmo da vida: a efemeridade dos vínculos.
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Precisava saber