Sociologia · tecnologia e relações sociais · redes
Um experimento denominado FunFit foi desenvolvido com o objetivo de fazer com que os membros de uma comunidade local se tornassem mais ativos fisicamente. Todos os participantes do estudo foram vinculados a dois outros membros da comunidade que receberiam pequenos incentivos em dinheiro para serem estimulados a aumentar a sua atividade física, que era medida por acelerômetros nos celulares fornecidos pelo estado. Assim, se a pessoa andasse mais do que o habitual, seus conhecidos receberiam o dinheiro. Os resultados foram assombrosos: o esquema mostrou-se de quatro a oito vezes mais eficaz do que o método de oferecer incentivos individuais. MOROZOV, E. Big Tech: a ascensão dos dados e a morte da política. São Paulo: Ubu, 2018 (adaptado). Contrariando a visão prevalente sobre o impacto tecnológico nas relações humanas, o texto revela que os celulares podem desempenhar uma função
recreativa, promovendo o lazer em redes integradas
social, estimulando a reciprocidade por meios digitais
laboral, convertendo o desenvolvedor em usuário final
comercial, direcionando a escolha por produtos industrializados
cognitiva, favorecendo a aprendizagem pelas ferramentas virtuais
Quem anda mais faz dois conhecidos ganharem dinheiro, e isso funciona melhor que o prêmio individual: o celular estimula a reciprocidade.
Por que a B é a certa
No FunFit, o celular mede a atividade física, mas o dinheiro não vai para quem caminha: vai para dois conhecidos dele. A pessoa se exercita para beneficiar outros, e esse arranjo foi de quatro a oito vezes mais eficaz que o incentivo individual. Contra a ideia de que a tecnologia isola, o celular serviu para criar laços de reciprocidade.
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