Linguagens · romantismo · José de Alencar · casamento e dinheiro
— Eu lhe juro, Aurélia. Estes lábios nunca tocaram a face de outra mulher, que não fosse minha mãe. Meu primeiro beijo de amor, guardei-o para minha esposa, para ti... ...] — Ou de outra mais rica! — disse ela, retraindo-se para fugir ao beijo do marido, e afastando-o com a ponta dos dedos. A voz da moça tomara o timbre cristalino, eco da rispidez e aspereza do sentimento que lhe sublevava o seio, e que parecia ringir-lhe nos lábios como aço. — Aurélia! Que significa isto? — Representamos uma comédia, na qual ambos desempenhamos o nosso papel com perícia consumada. Podemos ter este orgulho, que os melhores atores não nos excederiam. Mas é tempo de pôr termo a esta cruel mistificação, com que nos estamos escarnecendo mutuamente, senhor. Entremos na realidade por mais triste que ela seja; e resigne-se cada um ao que é, eu, uma mulher traída; o senhor, um homem vendido. — Vendido! — exclamou Seixas ferido dentro d’alma. — Vendido, sim: não tem outro nome. Sou rica, muito rica; sou milionária; precisava de um marido, traste indispensável às mulheres honestas. O senhor estava no mercado; comprei-o. Custou-me cem contos de réis, foi barato; não se fez valer. Eu daria o dobro, o triplo, toda a minha riqueza por este momento. ALENCAR, J. Senhora. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 2003. Ao tematizar o casamento, esse fragmento reproduz uma concepção de literatura romântica evidenciada na
defesa da igualdade de gêneros
importância atribuída à castidade
indignação com as injustiças sociais
interferência da riqueza sobre o amor
valorização das relações interpessoais
Aurélia revela que comprou o marido por cem contos de réis: o casamento foi um negócio. O romance mostra o dinheiro interferindo no amor.
Por que a D é a certa
Na noite de núpcias, Seixas fala de amor, e Aurélia o interrompe: tudo foi "uma comédia". Ela, rica, "precisava de um marido"; ele "estava no mercado" e ela o comprou por "cem contos de réis". O casamento, que deveria ser a realização do amor, aparece como uma transação. Ao tematizar o casamento assim, o fragmento mostra a riqueza interferindo nas relações amorosas.
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Precisava saber