Linguagens · crônica · humor e ironia · clichês e frases feitas
Passando por aqui para lembrar algumas palavras, frases e expressões que nos infernizaram em 2023. Inclusive passando por aqui. Se você for proativo, vai achar que é o novo normal. Estarão na sua zona de conforto. Mas, se for reativo como eu, vai achar que é uma narrativa que precisa ser ressignificada. É uma questão de empatia. É sobre entregar um discurso mais robusto e empoderado. Sei bem que não tenho lugar de fala para harmonizar certos pontos fora da curva e que preciso aplicar toda a minha resiliência para fazer um realinhamento. O nível de fitness está hoje num sarrafo muito alto. O fato é que acho cringe essas falas fora da caixinha. Aliás, falar cringe já é meio cringe. Preciso usar a superação para me reinventar e entender que resenha não tem mais a ver com futebol, é qualquer papo, desde que latente. Pensando bem, não é tão difícil. Frases feitas são aquelas que entram por um ouvido e saem pelo outro sem um estágio intermediário no cérebro. A boca fala por conta própria, dispensando-nos de pensar. E não tem problema nisso. Ou as ditas frases se incorporam à língua ou morrem e nascem outras. A língua é assim. Simples assim. CASTRO, R. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 3 fev. 2024 (adaptado). Nesse texto, a estratégia empregada para criticar a constante exposição a palavras, frases e expressões automatizadas é o(a)
menção feita à efemeridade de alguns usos linguísticos aleatórios
subjetividade marcada pela reflexão que se desenvolve em primeira pessoa
efeito estilístico da repetição intencional da palavra "assim" no último parágrafo
sedução sugerida pelo envolvimento direto do leitor marcado nos usos de "você" e "sua"
humor gerado pelo uso das estruturas linguísticas que são objeto da reflexão desenvolvida
Para criticar as frases feitas, o cronista escreve com elas: "novo normal", "zona de conforto", "empatia". O humor nasce do excesso.
Por que a E é a certa
Os dois primeiros parágrafos são montados quase só com as expressões da moda que o autor quer criticar: "proativo", "novo normal", "zona de conforto", "empatia", "lugar de fala", "fora da caixinha", "cringe". O acúmulo produz um texto que soa vazio e engraçado, e assim mostra o problema sem precisar explicá-lo. A crítica vem do humor de usar as próprias estruturas que são objeto da reflexão.
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